Empreendedorismo e Gestão

Trump venceu. E agora?

Aqui vem o relato de alguém que estava no olho do furacão e que conseguiu viver um pouco das duas partes. Estive em Dallas, no estado do Texas (fortemente republicano), depois fui para San Diego (fortemente democrata) e agora estou na capital, Washington DC, onde fica o centro decisório dos EUA.

Tivemos um forte embate de Trump x Hillary todo o tempo. Acompanhei as primárias, os Debates, as super Tuesdays, estive visitando uma cabine de votação e acompanhando as eleições na capital. Há muitos aspectos a serem abordados.

Primeiramente, gostaria de esclarecer o porquê que nós brasileiros devemos nos preocupar com as eleições americanas já que o nosso próprio está mal das pernas. A resposta é simples: globalização. O que acontece em qualquer lugar do mundo, afeta todo mundo. Partindo do pressuposto que os EUA são a maior potência do mundo, eles são referência em vários aspectos de sucesso, a moeda para qualquer transação econômica mundial é o dólar, devemos nos preocupar sim. Por exemplo, há duas semanas atrás, a campanha do Trump ganhou uma guinada na semana antepassada e a Bovespa caiu e o dólar subiu. Dois KPI’s que provam a influência americana no Brasil.

Agora vamos à questão das eleições em si. O que está sobre a mesa? Muita coisa! Cybertattack, ISIS, Rússia, Síria, Coréia do Norte e as questões domésticas, logo, é uma das eleições com prato mais cheio já vista. Tínhamos um candidato businessman, tough, tido por muitos como uma grande piada e do outro lado uma mulher, esposa de um ex-presidente, ex-secretária de Estado com vários façanhas conseguidas, isto é, um empresário x uma política.

Eu, particularmente, não o levei a sério, até porque suas propostas eram loucas: construir um muro gigante na fronteira EUA x México, banir muçulmano, não dar voz aos latinos, favorecer os empresários e criar empregos. Do outro lado, uma candidata com um discurso mais leve, mais politicamente correto com o tom suave típico de um democrata: igualdade, impostos para os grandes empresários, favorecimento à classe média e baixa… Enfim, dois discursos muito distintos. Vi muitas alfinetadas nos Debates, os escândalos sexuais que foram levantados pela mídia da parte de Hillary e da parte de Trump, os e-mails da Hillary que desapareceram, os impostos do Trump que não foram pagos, a forma como o Trump subiu na vida…

Hoje estamos aqui com a vitória de Trump e a pergunta que não quer calar: Por que o lunático venceu?

Sabemos que o voto aqui nos EUA é facultativo e se formos pesquisar a história da última eleição com essa, vamos ver alguns fatos muito interessantes! Estereotipicamente falando do ponto de vista americano, Hillary representava os imigrantes, a classe média, o progressismo e, por incrível que pareça, a campanha dela era fomentava pelos maiores empresários americanos como Warren Buffet, que é até mesmo autor de uma lei que ela levava como proposta. Já Trump, representava muito bem os rednecks (região centro-sul americana), muitos americanos que acreditam que são os melhores do mundo em tudo e que tem muito problema com racismo, trabalhador rural, enfim, é assim que os americanos se veem.

Trump venceu! Um resultado muito surpreso para todo o mundo. E agora? Ouve-se 3ª guerra mundial, nova ordem e muitas outras coisas. Percebi que os democratas pensavam que já tinham ganham em alguns estados e ignoraram os delegados (representatividade proporcional dos votos para o partido) desses e resultado, com trabalho de formiguinha, os republicanos foram ganhando território em pequenas cidades até tomarem todo o estado e conseguirem, no mínimo 90% dos delegados. Quando comparamos a campanha dos democratas de 2012 com a de 2016, vimos um grande gap, por exemplo, nos mesmos estados em que Obama foi supremo, Hillary até ganhou, porém com uma margem bem menor e os republicanos foram muito mais significativos. Sem contar que o terceiro partido também roubou uma boa quantidade de votos dos dois principais. Esse resultado representa uma crise política americana, na qual, na falta de opção, o americano preferiu não votar e do outro lado, no meio de um mundo “politicamente correto”, tinha alguém falando o que muitos americanos queriam ouvir/falar, mas ninguém tinha coragem. No final da campanha, vimos um Trump mais humilde e que tinha mudado o discurso para um mais politicamente correto. A grande pergunta é: como ele vai governar? Como ele vai fazer o seu grande jargão: “Let’s make America Great Again” funcionar?

Fica aqui minha análise sobre tudo que vivi nesses últimos meses, onde mesmo quando estou no Brasil, estou sempre ligado na CNN e afins. O mais bonito disso tudo é que vi que os americanos sabem realmente exercer a democracia, pois mesmo não concordando com os resultados, vejo apertos de mão e a frase: “Vamos trabalhar juntos para melhorar a nação”.

Você também pode gostar
Minha jornada nos EUA
Sucesso é uma questão de equilíbrio

Deixe o seu comentário